Demonstrar a viabilidade do Sistema Brasileiro de Televisão Digital - SBTD e discutir suas possibilidadessão objetivos de projeto desenvolvido na UFMG.Hoje, no Brasil, o governo e um grande número de pesquisadores e instituições debatem a necessidade de um modelo brasileiro de televisão digital. Existem no mundo três padrões de digitalização: o americano, o japonês e o europeu concebidos tendo em vista as condições e peculiaridades de cada país, e seguindo objetivos diversos. Eles estão sendo amplamente testados e analisados por entidades e especialistas brasileiros. Mas, assim como os modelos de outros países, não seria ideal que o Brasil tivesse um modelo próprio? Um modelo concebido diante das condições brasileiras e que favorecesse os objetivos do país? É pensando nisso que uma grande discussão sobre o assunto tem se afirmado e foi esse um dos motivos que levaram ao surgimento do projeto “Modelo de Implantação de TV Digital no Brasil”. Na UFMG, sob coordenação da professora Regina Mota, está sendo realizada a análise da legitimação e o levantamento das questões pertinentes à inclusão social para o modelo brasileiro.
O projeto tem como objetivo dar subsídios para uma política pública para o sistema de televisão digital do Brasil. A primeira etapa do projeto foi a elaboração de um relatório de análise da legislação da Radiodifusão sonora e de sons e imagens no Brasil, intitulado: “1917-1997 – 80 anos de exclusão”.
A segunda etapa do projeto pretende discutir as condições que são necessárias para que uma política pública possa garantir que um número significativo da população tenha acesso a essa tecnologia. O projeto vai levantar questões que não podem ficar fora do debate público e que podem, inclusive, orientá-lo. Uma das motivações é pensar o potencial da TV Digital como promotora da cidadania, permitindo que o cidadão tenha acesso direto ao poder público e melhorando o padrão de informação das pessoas.
Quando se fala em TV Digital não se deve pensar apenas em uma evolução tecnológica da televisão. Trata-se de uma nova plataforma de comunicação baseada em tecnologia digital para transmissão de sinais. Essa tecnologia gera uma melhoria na qualidade de vídeo e áudio, aumento da oferta de programas televisivos e novas possibilidades de serviços e aplicações. A coordenadora do projeto explica que Televisão Digital não é apenas o sinal digitalizado terrestre ou digitalização da produção.
O importante a se pensar, segundo Regina, é que a Televisão Digital, teoricamente, propicia a convergência da TV, com a internet, e a telefonia móvel e fixa. A professora explica que, propiciando essa convergência, ela potencialmente transformaria todos os receptores de televisão num terminal de computador, assim como transformaria todos os terminais de computadores em receptores de televisão. Além disso, a TV Digital pode propiciar o canal de retorno do domicílio ou lugar que recebe o sinal, para a fonte que o emitiu. Essa possibilidade de retorno do sinal digital é que dá à nova tecnologia sua característica de interatividade plena.
Imagine poder fazer uma consulta médica pelo seu televisor, ou ter seus batimentos cardíacos monitorados por um médico a quilômetros de distância, através de um sinal digital. A TV Digital traz um enorme potencial de mudanças. Através dela, as mais variadas formas de acesso a todos os tipos de serviços seriam possíveis. Além de receber várias informações ao mesmo tempo, os receptores poderiam emitir informações.
Muitas das coisas pensadas para a TV Digital poderiam ter sido feitas com outros meios, como a TV a cabo ou satélite, mas nenhum deles foi planejado para isso. Além disso, eles não possuem a abrangência da televisão aberta (terrestre), que no Brasil está presente em mais de 80% dos domicílios.
O governo Brasileiro quer utilizar a TV Digital para alcançar, de forma abrangente, a inclusão digital e conseqüentemente a inclusão social. Há pressão para que o Brasil escolha um dos modelos estrangeiros e o implante rapidamente, mas Regina Mota explica que o conceito fundamental do modelo é que ele seja bom para o Brasil e propicie o desenvolvimento de um domínio tecnológico. A coordenadora chama atenção para o fato de que “nada disso vai ocorrer se não houver uma política capaz de levantar as demandas da sociedade nas esferas do negócio de televisão digital, e garanta a oferta de serviços, no âmbito público”. Ela completa que isso é necessário para evitar que a TV Digital se torne algo acessível apenas a uma pequena parcela da população, e para evitar que seu potencial seja desperdiçado pela falta de discussão: “Podemos ter apenas uma TV de melhor qualidade, a HDTV, ou podemos, através de uma política elaborada, criar um novo horizonte informacional para o país”.
Pesquisadores na UFMG
A partir do edital FINEP para a TV Digital, a UFMG foi habilitada para participar do desenvolvimento tecnológico do modelo brasileiro de implantação de tecnologia digital. Nesse sentido, os departamentos de Engenharia Eletrônica, Engenharia de Produção, Ciência da Computação e Comunicação estão se articulando para apresentação de propostas através dos seus pesquisadores. Sendo quatro editais voltados para diversos aspectos de pesquisa, que deverá gerar os parâmetros do padrão e modelo até março de 2005.
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